domingo, 29 de julho de 2012

Apreciação a "UM CAPPUCCINO VERMELHO"

O segundo autor a responder ao meu desafio lançado no Goodreads foi  o Tiago Gonçalves, autor de "De Uma Só Sorte" e "Não Fomos Nós Dois". Aqui fica a sua opinião:
«A escrita do Joel é bastante gráfica, fluída, simples e vibrante, a acção segue com descrições rápidas e concisas, que transmitem o essencial para vermos a história e como ela vai "andando" pelo papel.
Confesso que não sou o maior fã deste tipo de livro, geralmente, pois apresenta-se como um thriller ou mesmo um policial, aparentemente, mas vejo também ali traços de romance.. o Joel pode dizer melhor. O que sei é que gostei, o Joel cativa, prende na história e no enredo, bom por sinal.
Acredito que o Joel podia ter melhorado, talvez tornar menos repetitivo a meio, abreviando a acção de algumas personagens, pois tornou-se previsível a narração da outra personagem, ou seja, era escusado ter-se alongado tanto. No início não, apenas mais quando ia caminhando para o fim da história. Ai, fim, surpreendente, o Joel troca as voltas e dá o final ideal, um completamente imprevisível mas extremamente lógico.
A qualidade de escrita do Joel é inegável, é directo e explícito, sempre com uma lógica inerente. Acredito apenas que tem de trabalhar um pouco a construção da história em si, para não se tornar repetitivo (às vezes os editores ajudam nisso). Mesmo assim louvo o Joel pois nunca cansa nem aborrece ao longo do livro, a sua forma de escrever não o permite, tal o dinamismo. O Joel está, por isso, de parabéns, sobretudo tratando-se de uma primeira obra. Gostei, e não costumo gostar deste género literário.»

Apreciação a "UM CAPPUCCINO VERMELHO"

Recentemente, no site Goodreads, desafiei vários autores a realizar uma permuta literária, isto é: lermos e opinarmos publicamente sobre as obras uns dos outros. O primeiro a responder ao desafio foi Bruno Franco, autor do livro "O Novo Membro". Aqui fica a sua apreciação sobre "Um Cappuccino Vermelho":


«Parti para a leitura deste livro com bastante curiosidade devido ao título, que considero ser extremamente apelativo. Devo dizer que também a capa está muito bem conseguida! O trocadilho do título e os salpicos de sangue são pormenores deliciosos.

A escrita do Joel é simples, directa e de fácil compreensão, algo que aprecio imenso. Li este livro num dia devido a essa característica e também por ser um livro pequeno.

Gostei da ideia geral do livro, embora já tivesse contactado com essa ideia noutra situação. Acho que o Joel poderia ter desenvolvido muito mais a história, pois o que ficamos a saber das personagens é praticamente nulo, exceptuando, talvez, o Ricardo. Além disso, achei a historia demasiado linear, sem qualquer reviravolta que surpreenda o leitor, e achei um pouco "estranho" que as palavras escritas do João no seu livro fossem exactamente iguais às do próprio livro, lidas anteriormente. Senti que estava a ler coisas repetidas.

Eu não sou apreciador de grandes descrições, mas acho essencial ter um mínimo de descrição do espaço, nem que para isso se refira o nome do local (se for conhecido). Neste livro só numa ou outra situação é que temos alguma descrição e referência ao local, o que acaba por me fazer sentir um pouco perdido ou deslocado durante a acção, levando-me, por vezes, a imaginar as personagens em espaços aleatórios.

Gostei dos diálogos e da forma como é explicada a paixão do Ricardo pelo café. O final está um pouco confuso, mas creio que percebi a intenção.

Resumindo, o Joel tem uma escrita limpa, agradável, segura e bastante compreensível, teve uma boa ideia para o livro, bons diálogos, mas muito pouco desenvolvimento do potencial da história que tinha entre mãos. Quando terminei o livro fiquei com o sentimento de que faltou algo, e isso deve-se à linearidade da história.

Gostei (embora tenha a certeza de que poderia gostar mais), e espero que ele continue a evoluir, pois sinto que o Joel poderá dar muito.»

sábado, 28 de julho de 2012

Apreciação no blog "OS LIVROS NOSSOS"







A mais recente apreciação ao livro "Um Cappuccino Vermelho", feita por Liliana Novais e publicada no blog Os Livros Nossos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Update em A IMAGEM



Prestes que estou a terminar as revisões finais d' A IMAGEM, o sucessor d' UM CAPPUCCINO VERMELHO, preparo-me para começar a divulgar excertos desse romance. Para esse efeito, e não só, em breve criarei um novo blog dedicado a essa obra. Contudo, sendo A IMAGEM e UM CAPPUCCINO VERMELHO duas obras interligadas, serão também colocadas aqui as informações mais importantes, bem como aqui.

domingo, 27 de maio de 2012

PONTOS DE VENDA

A partir do passado dia 25 de Maio, Um Cappuccino Vermelho passou a estar disponível nos seguintes espaços:

- Papelaria João (Baixa da Banheira)
- Papelaria Filipa (Baixa da Banheira)

Se ainda não possuem o vosso exemplar, podem agora adquiri-lo num destes estabelecimentos.

Apresentação de "Um Cappuccino Vermelho" na Biblioteca Municipal D. Diniz em Odivelas

Decorreu ontem aquela que foi a segunda apresentação pública do meu livro "Um Cappuccino Vermelho". Influenciado pelo sucesso da primeira apresentação, confesso que estava com as expectativas em alta. Todavia, apesar de a minha passagem por Odivelas não ter sido o sucesso estrondoso que eu almejava, não posso dizer que tenha corrido mal. Afinal de contas, à mesma hora estava a decorrer o Rock In Rio e o jogo de Portugal contra esse colosso que é Macedónia.
Foi uma apresentação breve, na qual falei da história do livro, dos seus personagens e ideias para próximos projectos. Neste tópico de próximos projectos aproveitei para divulgar um pequeno passatempo relacionado com o meu próximo romance, A Imagem.
Embora não se tenha verificado uma afluência tão grande como aconteceu na minha apresentação - pelas razões já apontadas em linhas prévias - fiquei satisfeito por lá ter ido e deixo aqui o meu agradecimento a todos os presentes, que fizeram uma pausa nos seus afazeres para me dar alguma atenção.
Até uma próxima.

Mais fotos aqui.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

PASSATEMPO: EU ESCREVI O MEU DESTINO

Ainda faltam alguns meses para que o sucessor de Um Cappuccino Vermelho seja publicado, mas nunca é cedo demais para começar a pensar em formas de chamar a atenção de actuais e futuros leitores. Em Um Cappuccino Vermelho incluí um excerto de A Imagem. Em A Imagem decidi que queria ir um pouco mais além do que incluir um excerto do livro seguinte (está neste momento a ser escrito). Foi por isso que resolvi convidar quem me lê a encarnar um dos protagonistas de Um Cappuccino Vermelho, João Dias Martins ou Ricardo Neves, e a escrever um pequeno conto em seu nome. 
Para ajudar nessa tarefa disponibilizo algumas frases e parágrafos que poderão ou não ser utilizados. A história que a sua imaginação produzir, preferencialmente, não deverá ter nada que ver com os acontecimentos descritos em Um Cappuccino Vermelho. Todavia, uma vez que as barreiras existem para serem quebradas, se quiser ir por esse caminho, eis alguns elementos a ter em consideração:
  • a história de Um Cappuccino Vermelho decorre em 2002, e a história de A Imagem decorre entre 2002 e 2009;
  • ambas as histórias e seus personagens estão trancados, ou seja, é difícil, mas não impossível, introduzir novos elementos sem correr o risco de quebrar a continuidade;
  • poderá servir-se de personagens de Um Cappuccino Vermelho, quer como protagonistas, quer em cameos, desde que essas participações sejam anteriores a 2002 ou posteriores a 2009, ou que não exerçam qualquer influência nas histórias principais.
A minha intenção com este desafio é lançar uma votação com as histórias que receber e incluir a mais votada como um extra em A Imagem. 
A Imagem será publicada no início de 2013 e todas as despesas de edição serão assumidas por mim, assim como todas as receitas. Quanto aos direitos do conto que escrever, seja ele ou não publicado, estes pertencerão sempre ao autor do mesmo (excepção feita aos elementos que utilizar de Um Cappuccino Vermelho e de A Imagem), podendo este recusar a sua publicação ou republicá-lo por sua conta. Nesse caso, apenas peço o devido crédito se a sua história contiver elementos de livros meus. Se não for caso disso, boa sorte.
Envie a sua história para joel.gomes@gmail.com com o assunto “Cappuccino Vermelho”: Eu escrevi o meu destino.
  • Número de palavras: 5000-10000.
  • Data limite: 10 de Outubro de 2012
A votação decorrerá durante todo o mês de Novembro, sendo o vencedor (ou vencedores) anunciados no início de Dezembro. Se tiver sugestões, reclamações ou rectificações a fazer, sinta-se à vontade para as apresentar.
O desafio está lançado. Mãos à obra!

domingo, 20 de maio de 2012

ENTREVISTA NA RÁDIO POPULAR FM - RESCALDO

Passados mais de quinze anos regressei aos estúdios da Popular FM, desta feita não como colaborador, mas como entrevistado. O convite foi-me feito por Fernando Marques, um dos responsáveis do programa "No seu lugar" e a entrevista foi conduzida por Solange de Jesus.

Não foi a minha primeira entrevista, mas foi a minha primeira entrevista em directo. Falou-se de "Um Cappuccino Vermelho", como seria de esperar, e desviou-se um pouco a cortina em relação ao meu próximo trabalho, que se irá intitular "A Imagem".

Feito o balanço, diria que correu bem. Venham as próximas.

sábado, 19 de maio de 2012

EX DIGITO GIGAS

No passado dia 12 de Maio fui para a Feira do Livro de Lisboa onde andei a distribuir marcadores alusivos a "Um Cappuccino Vermelho" - a propósito, já tem o seu exemplar? - e onde tive a oportunidade, e o prazer, de conhecer e trocar algumas palavras com o escritor, investigador e realizador António de Macedo. O tempo não deixou que tivéssemos uma conversa muito demorada, mas chegou para eu lhe oferecer um exemplar do meu livro.
Ontem, recebi o feedback.
"Meu caro Joel Gomes: já li o seu livro e devo dizer que fiquei agradavelmente impressionado. Gostei do seu estilo directo e da sua verve literária, com bom ritmo e diálogos trepidantes, sem demoras inúteis nem truques suspensivos exagerados. De uma forma geral está bem construído, embora haja pontos em que o factor "previsibilidade" se faça sentir. De uma forma geral, é um bom começo para um primeiro romance - como diz o provérbio latino, ex digito gigas, pelo dedo se conhece o gigante -, com boa implantação de cenários e de sucessão de eventos, nota-se a experiência de visualização de um guionista (...)."António de Macedo
O melhor de tudo isto é que a parte mais enriquecedora da longa mensagem que o António de Macedo me enviou nem sequer é aquela que reproduzi aqui. Sim, é bastante elogiosa e fiquei algo "babado", mas o fruto mais doce proveio das palavras mais críticas. É verdade. Fui chamado à atenção em relação a alguns descuidos que tive com certas matérias. Descuidos esses dos quais, em parte, eu estava ciente, e que o António de Macedo teve o cuidado, não só de apontar, como também de explicar em que é que errei e como deveria ter feito.

Já o disse várias vezes e torno a dizê-lo: as palavras positivas fazem bem ao ego e motivam-nos a continuar, mas são estas chamadas de atenção para corrigir o que está errado que nos fazem melhorar enquanto autores. Seguir em frente sem melhorar em nada é o equivalente ao andar do caranguejo: por muito que se esforce não consegue atravessar a linha.
Também já o disse em privado, mas agora digo-o publicamente: muito e muito obrigado, caro António.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ENTREVISTA NA RÁDIO POPULAR FM


No próximo Sábado, 19 de Maio, entre as 11h00 e as 12h00, vou estar na Rádio Popular FM, no Pinhal Novo, para uma entrevista a propósito do meu livro "Um Cappuccino Vermelho". A entrevista será conduzida por Solange Jesus e poderão ouvi-la em 90.9 ou via Internet. É só escreverem "popular fm ouvir" no Google.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Crítica no Jornal do Barreiro


Lançado há menos de um mês, o meu livro "Um Cappuccino Vermelho" tem reunido boas críticas junto do público e da imprensa. A mais recente foi publicado na edição de 30 de Março do Jornal do Barreiro, a qual reproduzo aqui na íntegra.

Imagens, humor e crítica
por Andreia Lopes
No seu primeiro livro – lançado em edição de autor – Joel Gomes mostra ao público uma história com alguns elementos visuais, assim como o uso de frases incisivas e ritmadas, o que também revela as suas potencialidades enquanto guionista. É, por isso, um enredo um tanto ou quanto visual, o que estende, também, ao próprio grafismo da obra, que conta com duas capas diferentes. Uma branca e outra preta e o cappuccino vermelho nas duas.
Ao longo das páginas do livro de Joel Gomes, pode sentir-se, por muitas vezes, o cheiro do café. O café que desperta as palavras que podem matar. E matam. Quando a realidade se confunde com a ficção e já não se sabe o que é a verdade e o que está a acontecer.
Neste seu policial, Joel, através do uso de uma linguagem simples, emprega também marcas suas de originalidade, que fogem a padrões existentes. E isso pode ver-se através da inclusão de elementos pouco comuns, como o de um assassino que se desloca de transportes públicos para matar.
Depois, há também espaço para o humor, uma marca muito característica do autor que não hesita em fazer uso da sua acutilância, bem como do seu olhar de cronista e de crítico que mostra retratos da humanidade e da sociedade. “Como não gostava de peixe, era fácil encontrar defeitos onde eles não existem”. Este é apenas um exemplo disso.
Podemos também falar de Jão, Ricardo e Laura. Os três personagens principais de Um Cappuccino Vermelho. Personagens que entram num triângulo sem o saberem. Ricardo, o assassino-escritor que gosta do que faz e que tem pela frente uma cruzada para mudar o mundo. João, o escritor que vê a ficção a confundir-se com a realidade. E Laura e a sua capacidade de manipular os outros.
Um Cappuccino Vermelho pode ser o primeiro livro de uma trilogia de Joel Gomes. Na verdade, preparado já está o seu segundo volume, A Imagem. Uma obra que parte de alguns personagens conhecidos nesta sua primeira obra e prepara “um retrato único da natureza humana”. Dois dos capítulos de A Imagem podem também ser lidos na primeira obra do autor que escreve para si e “depois para o público”.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Apresentação Oficial d' "Um Cappuccino Vermelho"

No passado dia 23 de Março, na Biblioteca Municipal da Moita, decorreu a Apresentação Oficial do meu livro "Um Cappuccino Vermelho". Eu sei que este artigo está quase duas semanas atrasado, mas não me foi possível escrevê-lo mais cedo. As minhas desculpas, antes de mais, pelo atraso.
Quanto à cerimónia em si, excedeu todas as minhas expectativas. Há que ser honesto sobre isto: estando eu sozinho, sem apoio de uma máquina de propaganda, esperava a comparência de alguns e familiares e pouco mais. A verdade (digo isto com um misto de orgulho e humildade) é que o Auditório Fernando Lopes, no qual assisti a várias apresentações de autores com muito mais crédito e fama que eu, estava bem preenchido. Não quero com isto dizer que acho o meu livro melhor que os livros desses autores, pretendo apenas demonstrar que as pessoas, quando querem, conseguem surpreender-nos. Lá estavam quem eu esperava ver, assim como pessoas que eu não via há anos e que me deram o prazer da sua companhia.
Além dos convidados, devo um especial agradecimento a quem se sentou comigo à mesa. À Irina Rosa, que esteve presente desde o primeiro rascunho há dez anos atrás e que continuará presente nos próximos rascunhos se tiver paciência para isso. Ao David Rebordão, que encontrou tempo entre takes para me escrever um prefácio. À Vivina Nunes que soube balançar relatos de momentos embaraçosos da minha infância com os meus feitos enquanto adulto e autor. E à Rosa Lia, que não estava à mesa, mas era como se estivesse.
Um grande obrigado também à comunicação social que esteve presente, através de José Apolónia do jornal O Rio e Andreia Gonçalves do Jornal do Barreiro. Obrigado pela vossa presença e obrigado pelas vossas palavras.
E, como não pode ser tudo bom, um puxão de orelhas à Irina que, embora de forma não propositada, me incubiu da tarefa de escrever um terceiro livro relacionado com "Um Cappuccino Vermelho". O segundo já está escrito, chama-se "A Imagem" e será lançado em data a anunciar.
Esta Apresentação Oficial foi o último passo desta etapa de "Um Cappuccino Vermelho". Ultrapassada esta barreira, virão mais apresentações e mais divulgação. O livro encontra-se disponível em formato grande a 10€ e em formato de bolso a 8,5€. Pode ser encomendado através dos emails joel.gomes@gmail.com e gomes_joel@hotmail.com ou adquirido nos Centros de Cópias da Universidade Autónoma em Santa Marta e Boavista. Brevemente serão anunciados mais locais de venda. Fiquem atentos.

Reportagem publicada no jornal O Rio

terça-feira, 6 de março de 2012

P'la mão de Ricardo Neves: PROPÓSITO

Se um dia alguém me perguntasse por que razão é que eu gosto de matar, antes de lhe responder, seria obrigado a fazer uma pequena correcção. Matar não é algo que eu goste de fazer: é algo que eu faço. É preciso que isso fique bem claro. Tenho plena consciência do quanto isto me diferencia da maioria das pessoas, mas tal como elas, não sou alheio às minhas obrigações.
Poderá haver quem questione a moralidade deste meu sentido de responsabilidade. É verdade que matar pessoas não é a mesma coisa que elaborar relatórios ou fazer inventários, mas o princípio subjacente é comum: todos temos os nossos objectivos a cumprir.
Pessoalmente, talvez não me importasse de fazer outra coisa se fosse esse o meu destino. Emprego a palavra “destino”, embora não acredite nisso tanto quanto gostaria. Por um lado até seria bom acreditar que, apesar de ter as mãos sujas de sangue, a responsabilidade pelas minhas acções não recai sobre mim; por outro, aprecio demasiado a liberdade de poder escolher para entregá-la a quem ou ao que seja. Quanto ao destino, no seu sentido mais místico, a minha opinião varia. Acredito que algumas coisas acontecem porque têm de acontecer, outras acontecem porque nós influenciamos o mundo à nossa volta com as nossas palavras e as nossas acções.
Através da minha faceta mais pública também costumo exercer esta influência no mundo. Não sei dizer se tenho mais impacto na vida das pessoas como autor ou como assassino nem isso interessa para agora. Para mim, embora já tivesse algumas mortes no meu currículo antes de escrever o meu primeiro livro, a escrita sempre foi tão importante como a morte. De certo maneira, utilizando um lugar-comum, ambas são faces da mesma moeda. Dois pesos da mesma balança: pela escrita crio, pela morte destruo.
Já por diversas vezes perguntei a mim mesmo: o que faria se não tivesse sido criado desta maneira? Como seria eu se a morte não tivesse feito parte da minha vida desde tenra idade? Aos seis anos de idade, ainda antes de aprender a ler, já sabia disparar uma pistola. É estranho, mas é verdade. Alguns colegas de profissão matam porque são bons no que fazem, outros porque têm prazer nisso; eu mato porque é para isso que fui treinado, mas até que ponto seria diferente se não tivesse recebido esses ensinamentos?
A morte fará parte do que sou ou do que faço?
Tenho pensado muito acerca disto ultimamente. A última lista que me entregaram colocou-me na rota de pessoas que me levaram a questionar aquilo que faço. Desviei-me um pouco, é verdade, mas por vezes, para sabermos se estamos no caminho certo, temos de voltar atrás e tentar perceber como seria se tivéssemos optado de maneira diferente.
Ainda não cheguei a nenhuma conclusão e não acho que vá chegar tão cedo. Tratei da última pessoa da lista ontem – quanto a isso, estou descansado –, mas ainda tenho um livro para acabar de escrever. Pode ser que daqui por uns tempos, quando as coisas estiverem mais calmas, eu volte a perder tempo a pensar na vida.

Ricardo Neves, protagonista de Um Cappuccino Vermelho

P'la mão de João Dias Martins: DECISÃO

Lembro-me de um tempo em que tudo era mais fácil, um tempo em que não precisava de me preocupar em tomar decisões. Recordo-me desses dias, às vezes com saudade, outras com alívio. Todavia, as saudades que sinto não chegam para desejar um retorno ao passado. Por muito que as memórias boas suplantem as más, teria dificuldades em deixar que a minha vontade fosse subjugada pela vontade de outra pessoa. À semelhança de muitos, não aprecio ser contrariado, muito menos por mim mesmo. No entanto, há alturas em que penso que sou eu quem mais me contraria.
O sonho de muitos autores, eu incluído, é mudar o mundo com a sua escrita. Não importa a dimensão em que esse sonho se traduz, é por ele que o autor busca as palavras certas para contar a sua história.
Não sou um escritor de best-sellers, talvez gostasse se o fosse, mas a verdade é que não sou. Os meus três romances até à data não foram êxitos retumbantes, mas até venderam bem. Tenho a perfeita noção de que não sou um autor Nobel. Um dia talvez me obrigue a trabalhar para isso. Por enquanto, quero apenas contar as histórias que me apetecer sem pretensões de ser laureado.
É sempre com este sentimento em mente que inicio a escrita de um novo livro e este não foi excepção. Quando comecei, pensei que seria apenas mais um. Não "mais um" no sentido pejorativo do termo, somente uma história com princípio, meio e fim. Já havia escrito três romances antes deste e, muito embora todos eles tivessem a sua história por detrás da história, acreditava que não teria grandes surpresas pela frente além daquelas que é suposto encontrar numa jornada criativa.
Estava enganado. Ou talvez estivesse mais certo do que gostaria. É escusado pedirem-me para explicar o que se passou. Suponho que exista uma explicação para o que aconteceu; eu, infelizmente, não a tenho. Só sei aquilo que a comunicação social já noticiou: um conhecido empresário foi encontrado morto em sua casa. O que mais ninguém sabe é que, dias antes, eu havia escrito esse mesmo acontecimento com todos os detalhes, incluindo aqueles de que só a polícia e o responsável pelo crime teriam conhecimento.
Concordaria com quem me dissesse que tudo isto não passa duma estranha coincidência se tivesse sido um acontecimento isolado. Uma semana antes da morte deste empresário, um outro empresário de esquina conheceu o seu fim. Por ser uma figura de menor importância na sociedade – havia quem o considerasse um parasita –, a sua morte passou despercebida. Encontrei o seu cadáver num beco; o mesmo local e as mesmas circunstâncias de uma cena que eu escrevera dias antes.
Cheguei a pensar se não estaria eu a matar aquelas pessoas. Desde que não fosse apanhado, isso até poderia funcionar como manobra de marketing. A certa altura, mais do que pensar, cheguei mesmo a desejar que fosse eu o assassino. Preferia isso a ter alguém a agir em meu nome. Preferia ser eu o assassino e ter assim a hipótese de me poder redimir dos meus actos.
Tenho saudades dos dias em que a minha vontade não era suprema, porque nesses dias estava liberto de pensar nas repercussões das minhas decisões. Podia escrever sobre o fim do mundo sem ter a preocupação de que isso se pudesse tornar realidade. Hoje em dia, tenho que avaliar muito bem as consequências das minhas palavras. Às vezes pergunto-me se estes eventos não aconteceriam mesmo se eu não escrevesse sobre eles. Dou alguma consideração a esta hipótese de ser uma espécie de profeta, apesar de não acreditar muito nela.
Ignoro se serei o único responsável por tudo o que está a acontecer ou uma mera ferramenta nas mãos do Destino. É este poder que vem da palavra escrita, esta capacidade de decidir quem vive e quem morre, que me força a continuar. Mesmo que esta história nunca chegue ao público, eu preciso de saber como é que ela terminará. Se me arrependerei dessa decisão, só o tempo o dirá.
João Dias Martins, protagonista de Um Cappuccino Vermelho